Patagônia Argentina e Chilena: Roteiro, Custos e Como Planejar

A Patagônia é o fim do mundo — literalmente e metaforicamente. O território compartilhado entre Argentina e Chile no extremo sul da América do Sul tem uma escala de natureza que não encontra equivalente em nenhum outro lugar do continente: glaciares azuis, torres de granito que perfuram as nuvens, lagos tão limpos que parecem irreais e condições climáticas que podem mudar quatro estações em um único dia.

El Calafate e a Patagônia Argentina

El Calafate, no sul da Patagônia argentina, é a base para o Glaciar Perito Moreno — um dos poucos glaciares do mundo que não está encolhendo e que avança até 2 metros por dia. A parede de gelo de 60 metros de altura sobre o Lago Argentino range e troveja o dia inteiro, com pedaços do tamanho de prédios despencando nas águas turquesas. O acesso é por passarelas de metal sobre o lago — gratuitas depois do ingresso ao parque.

O Parque Nacional Los Glaciares tem além do Perito Moreno outros glaciares acessíveis de barco — o Upsala e o Spegazzini são maiores mas menos acessíveis do que o Perito Moreno.

El Chaltén: trekking nas Torres de Granito

A 220 km de El Calafate fica El Chaltén, capital nacional do trekking argentino — uma cidade de 1.500 habitantes construída para servir os trilheiros que vêm para o Monte Fitz Roy e as Torres de granito. As trilhas saem da cidade sem necessidade de transporte, sem custo de ingresso e sem necessidade de guia — um modelo de parque nacional que facilita imensamente o acesso. A trilha Laguna de los Tres (22 km ida e volta) termina num lago de água azul-gelada com o Fitz Roy se erguendo atrás.

Torres del Paine: o jóia da Patagônia Chilena

Do lado chileno, o Parque Nacional Torres del Paine é o destino de trekking mais famoso da América do Sul. As três Torres — pilastras de granito cor de ferrugem que se erguem sobre o lago em milhas de escarpa vertical — são o ícone. O famoso circuito W (5 dias de trekking) passa pelos pontos principais: Valle del Francés, Mirador das Torres, Glaciar Grey. Reserve as acomodações (refúgios) com meses de antecedência — o parque opera no limite da capacidade em alta temporada.

Quando ir e como planejar

A única temporada viável para trekking é de novembro a março — o inverno austral (junho-agosto) tem nevascas que fecham muitas trilhas. Mesmo no verão, a Patagônia tem ventos de até 120 km/h e chuvas imprevistas — leve sempre impermeável, bota resistente e roupa em camadas. O que os locais dizem sobre o clima patagônico é verdade: se não gosta, espere 15 minutos.

Logística para brasileiros

  • Acesso: voos para El Calafate de Buenos Aires (3 horas) ou Bariloche. Para Torres del Paine, o aeroporto mais próximo é Punta Arenas (Chile) com traslado de 3 horas.
  • Brasileiro não precisa de visto para Argentina nem para o Chile — passaporte ou carteira de identidade.
  • El Calafate e El Chaltén são na Argentina (peso argentino); Torres del Paine no Chile (peso chileno). Leve pesos de ambos os países.
  • Reservas de refugios em Torres del Paine: site da Vertice Patagonia e Las Torres — esgotam com 6 meses de antecedência em janeiro/fevereiro.

A Patagônia é para quem está disposto a abrir mão do conforto padrão em troca de uma natureza que não tem equivalente no planeta. Quem vai com essa expectativa volta como se tivesse visto algo que pouquíssimas pessoas têm a sorte de ver.


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