Paris em 7 dias é tempo suficiente para sair do nível “turista que viu as atrações” e chegar no nível “viajante que entendeu a cidade”. Mas exige roteiro inteligente — Paris tem museus que sozinhos levam um dia inteiro, bairros que merecem tardes completas e uma gastronomia que vai muito além do croissant do café da manhã (embora esse croissant seja, de fato, extraordinário).
Dias 1 e 2: os clássicos sem pressa
Reserve o Louvre para o primeiro dia inteiro — não existe jeito de fazer o museu em duas horas sem sentir que estava num aeroporto. Chegue na abertura (9h), vá direto à Vitória de Samotrácia, depois Vênus de Milo, depois a Mona Lisa (menor que você imagina, mais apertado do que você gostaria) e depois siga pela sua curiosidade. Almoce no café interno.
No segundo dia, Torre Eiffel de manhã cedo — as filas são menores nas primeiras horas. Suba até o segundo ou terceiro andar (reserve online). À tarde, cruzeiro pelo Sena com os Bateaux Mouches — melhor de tarde para pegar a luz dourada sobre Notre-Dame e o Louvre vistos da água. Notre-Dame foi reaberta em dezembro de 2024 após a restauração pós-incêndio — visite cedo pela manhã quando ainda está tranquilo.
Dias 3 e 4: Marais, Versalhes e vida de bairro
O dia do Palácio de Versalhes merece um dia inteiro dedicado. Chegue no trem RER C de manhã, explore os Grandes Apartamentos, a Galeria dos Espelhos e os Jardins (o Trianon costuma ser menos lotado e igualmente magnífico). Reserve os ingressos dos salões principais online.
Reserva um dia para o Marais (3º e 4º arrondissements) — Centre Pompidou, Place des Vosges, falafel da Rue des Rosiers, galerias de arte. À noite, jantar no bairro: os restaurantes do Marais têm boa relação qualidade-preço e diversidade gastronômica.
Dias 5 e 6: Museu d’Orsay, Montmartre e bistrôs
O Musée d’Orsay (impressionistas — Monet, Renoir, Van Gogh) fica numa antiga estação de trem do século XIX e é, para muitos, o museu mais emocionante de Paris. Reserve a manhã. À tarde, Saint-Germain-des-Prés — Café de Flore, livraria Shakespeare and Company (a mais famosa livraria de língua inglesa do mundo), Jardin du Luxembourg.
Montmartre no dia 6 — vá a pé subindo pela Rue Lepic, passe pelo Moulin de la Galette (moinho de vento que virou restaurante famoso), chegue à Basílica do Sacré-Coeur e admire Paris toda embaixo. O bairro tem fama de turístico mas as ruas laterais ainda guardam o clima da aldeia de artistas do século XIX. O Moulin Rouge fica ali embaixo — o show noturno é caro mas é genuinamente espetacular.
Dia 7: o que você não viu ou quer rever
O último dia é livre para o que ficou faltando — volta ao Louvre para a ala que não conseguiu ver, canal Saint-Martin para ver os parisienses no domingo, mercado de pulgas de Saint-Ouen (o maior do mundo, aberto fins de semana), ou simplesmente sentar num café e observar. Paris recompensa o viajante que para.
Gastronomia: o que comer em Paris
- Croissant: nas boulangeries de bairro, não nos cafés turísticos. A diferença é abissal.
- Steak frites: prato simples e perfeito num bistrô clássico — peça a carne ao ponto (à point).
- Crêpes: na Bretagne, os galettes de sarrasin (trigo sarraceno) com ovo e queijo são o almoço perfeito.
- Baguette jambon-beurre: o sanduíche mais comido de Paris. Num banco de jardim às 13h.
- Macarons: da Pierre Hermé, não da Ladurée (ambas são boas, mas Pierre Hermé é o original moderno).
Paris em 7 dias é perfeito. Menos e você se sente apressado, mais e você começa a pensar “e agora?” Sete dias dão tempo de ver o que importa, perder-se algumas vezes (que é onde você encontra o melhor de Paris) e ainda comer bem todo dia.


