Vacinas para viagem internacional dividem os viajantes em dois grupos: os que pesquisam e se preparam com antecedência e os que chegam ao aeroporto descobrindo que precisavam de algo que não tomaram. O segundo grupo às vezes perde a viagem inteira — no caso da febre amarela, não é exagero: alguns países recusam entrada sem o certificado de vacinação.
Febre Amarela: a vacina mais crítica para brasileiros
O Brasil exige comprovante de vacinação contra febre amarela para viajantes que saem do país e vão a destinos que exigem o certificado. Ao mesmo tempo, destinos como países africanos, alguns países asiáticos e algumas nações vizinhas exigem o certificado internacional de vacinação (Caderneta Amarela) na entrada — especialmente para quem veio do Brasil, que é considerado zona endêmica.
A vacina contra febre amarela é de dose única e dura a vida toda (a Organização Mundial da Saúde atualizou a recomendação de revacinação a cada 10 anos para dose única vitalícia). Tome pelo menos 10 dias antes da viagem para garantir imunidade. É disponível gratuitamente no SUS.
Vacinas recomendadas por destino
Europa e América do Norte: se você está em dia com o calendário básico brasileiro (hepatite B, tétano, MMR), não há recomendações específicas adicionais para a maioria dos países. Confirme que a dose de reforço do tétano foi feita nos últimos 10 anos.
Ásia do Sudeste (Tailândia, Vietnã, Indonésia): são recomendadas hepatite A, febre tifoide e, dependendo do itinerário rural, encefalite japonesa. Malária não é risco em áreas urbanas como Bangkok ou Hanói, mas pode ser relevante em áreas rurais — consulte médico especializado.
Índia: hepatite A, febre tifoide, encefalite japonesa (dependendo da região) e meningite meningocócica são recomendadas. Malária é risco em algumas regiões.
África Subsaariana: febre amarela (obrigatória para entrada em muitos países), malária (profilaxia obrigatória dependendo do país), febre tifoide, hepatite A e meningite. O planejamento vacinal para África requer consulta com médico de medicina do viajante com no mínimo 6 semanas de antecedência.
América do Sul (Peru, Bolívia, Colômbia): febre amarela para áreas amazônicas e regiões específicas. Altitudes elevadas podem exigir profilaxia para mal de altitude (consulte médico). Para destinos como Machu Picchu, não há vacina específica mas a aclimatação gradual é essencial.
Onde se vacinar no Brasil
O SUS oferece gratuitamente: febre amarela, hepatite B, meningite meningocócica ACWY e outras vacinas do calendário adulto. Vacinas como hepatite A, febre tifoide e encefalite japonesa geralmente precisam ser compradas em clínicas particulares de medicina do viajante — o custo varia de R$ 80 a R$ 450 por dose dependendo da vacina.
Dicas práticas
- Consulte um médico de medicina do viajante pelo menos 4 a 6 semanas antes da viagem — algumas vacinas precisam de mais de uma dose com intervalo.
- Guarde a Caderneta Internacional de Vacinação (formato amarelo, emitida pelo SUS) junto com o passaporte — não adianta ter tomado se não tiver o documento.
- O site da ANVISA e os consulados dos países de destino têm as exigências atualizadas — confirme antes de viajar porque as exigências mudam.
Vacinas não são burocracia — são a linha de defesa que permite que você viaje tranquilo. Uma dose de hepatite A custa R$ 150 e evita uma internação de semanas. O cálculo é simples.